Por dentro da Kingsport: como a Domtar reinventou o papelão reciclado e o que isso significa para a indústria
Publicado em 22 de junho de 2026 por g7

Três anos após a conversão da Kingsport Mill para uma fábrica de papelão 100% reciclado, a Domtar consolida sua posição em um dos segmentos mais estratégicos da indústria de embalagens. O que era uma aposta transformou-se em operação de referência, e os resultados falam por si: mais de 1,5 milhão de toneladas de material reciclável processadas e convertidas em papelão de alto desempenho desde o início das operações.
Para entender o que acontece dentro da fábrica e como a Domtar está redefinindo o conceito de papelão reciclado, Mike Butler, diretor sênior de vendas da área de embalagens, explica a operação, os produtos e a filosofia que orienta esse negócio.
Dois produtos, uma missão: desempenho com material reciclado
A Kingsport Mill produz dois tipos de papelão para embalagens corrugadas: o Performance Linerboard e o Performance Medium, ambos fabricados com 100% de fibra reciclada.
O linerboard é o papel liso e resistente que forma as camadas externa e interna de uma caixa corrugada. O medium é o papel formado na estrutura ondulada interna, responsável pela resistência e capacidade de absorção de impacto. Juntos, esses componentes chegam a convertedores independentes, que os transformam em caixas customizadas com alças, abas e ventilação, prontas para acondicionar produtos dos mais variados setores.
O papelão produzido em Kingsport rompe com uma percepção antiga do mercado: a de que reciclado significa inferior. Ao contrário dos tons acinzentados e da resistência reduzida associados ao papelão reciclado de gerações passadas, o produto da Domtar apresenta coloração marrom quente uniforme, comparável ao papelão virgem, e valores elevados de resistência à compressão, medidos pelos índices STFI (para o linerboard) e Concora (para o medium).
Lightweighting: menos material, mesma proteção
Um dos benefícios mais significativos do papelão de alto desempenho da Domtar é a possibilidade de lightweighting, ou seja, usar menos fibra para produzir a mesma caixa com o mesmo nível de proteção. Isso é possível porque a resistência do material permite trabalhar com gramagens menores sem comprometer a integridade da embalagem durante o transporte e o manuseio.
Para grandes fabricantes e distribuidores, o impacto é concreto: menos caminhões necessários, redução de custos com frete e combustível, menor ocupação em armazéns e menos esforço operacional no carregamento e descarregamento. Há ainda um efeito regulatório relevante: em estados norte-americanos que adotam leis de Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR), menos peso de embalagem significa menores taxas a pagar.
660 mil toneladas de fibra reciclada por ano e uma rede de parceiros locais
A Kingsport Mill tem capacidade para processar aproximadamente 660 mil toneladas de fibra reciclada por ano, composta principalmente por caixas de papelão usadas (OCC). Essa fibra chega à fábrica por meio de uma rede de parcerias com programas municipais de reciclagem e fornecedores regionais.
Entre as parcerias mais reconhecidas estão o supermercado Food City, a Goodwill Industries of Tenneva Area e a fábrica da American Greetings no Tennessee. Só da rede Food City chegam cinco caminhões por dia com fardos de OCC coletados em mais de 150 lojas semanalmente. É a cadeia de abastecimento de alimentos retroalimentando a própria cadeia de embalagens.
O sistema funciona em circuito fechado: as embalagens corrugadas utilizadas no varejo retornam como matéria-prima para a produção de novas embalagens corrugadas. Esse modelo preserva o valor da fibra ao longo dos ciclos de uso, reduz a necessidade de insumos virgens e minimiza desperdício, diferenciando-se do modelo tradicional de reciclagem, que frequentemente rebaixa o material a aplicações de menor valor.
Eficiência operacional e impacto ambiental
A conversão de 2023 não trouxe apenas um novo portfólio de produtos. Ela redesenhou o processo produtivo da fábrica de forma significativa. Em comparação com a operação anterior como fábrica de papel não revestido de fibra virgem, a Kingsport Mill passou a operar com uso mínimo de químicos, aproximadamente 70% menos água e cerca de 50% menos energia.
Esses ganhos de eficiência são parte de um compromisso mais amplo com o uso responsável de recursos, alinhado à Estratégia de Sustentabilidade 2030 da Domtar.
A visão de Jackson Wijaya e o modelo de negócio que não compete com os clientes
A Domtar não possui ou opera fábricas de caixas, chapas ou alimentadoras de chapas. Isso significa que a empresa não compete com seus clientes. Ao contrário, torna-se uma extensão do negócio deles. A lógica é direta: quando os clientes vencem no mercado, a Domtar vence junto.
Esse posicionamento reflete a visão de Jackson Wijaya, proprietário da Domtar, para a companhia integrada, que hoje reúne Domtar, Resolute Forest Products e Paper Excellence sob uma única identidade. A missão compartilhada é ser “a fibra do futuro”, e o investimento de mais de 600 milhões de dólares na conversão de Kingsport é a demonstração mais concreta desse compromisso.
Três anos depois da abertura da fábrica renovada, a Domtar segue aprofundando sua dedicação ao segmento de embalagens corrugadas, ao desenvolvimento de parcerias de longo prazo com convertedores independentes e à produção de papelão 100% reciclado que entrega o que o mercado exige: desempenho, consistência e sustentabilidade real.
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